Bichos Escrotos

Surge os Bichos Escrotos

A Consolidação do Rock em Curaçá

Em 1995 Maurízio conhece Biá e começam o movimento de rock "Bichos Escrotos". O título vinha da canção dos Titãs que os garotos gostavam muito, assim como Legião, Nirvana, Raimundos e Ultraje a Rigor, além de diversas outras bandas. Vários jovens se vestiam de preto, roupas rasgadas e andavam pela rua em festas: carnaval, fim de ano. Biá e Maurízio tocavam violão e tiveram a idéia de passar a compor e comprar instrumentos. Maurízio comprou uma guitarra e Biá outra. Maurízio comprou uma bateria depois e chamou Nilton para tocar. Antes disso Lula, primo de Biá, foi apresentado a Maurízio e logo tomou o lugar de guitarra solo. Os três violeiros gravavam canções dos Bichos Escrotos ainda no forno como: Conde Drácula, Cabral e Bateu Saudade (em 1995) e Espírito de Porco (em 1996). Ensaiavam muito "I saw you saying" dos Raimundos durante meio ano até se apresentarem ao público, pela primeira vez, em abril de 1997. Apresentação louca com máfia de som, apresentação de Dêmis, recém chegado ao grupo (cantou bebadão) e por fim uma briga em que um cara deu um tapa no outro que o sangue desceu no rosto bem quando Maurízio gritava o refrão da canção Conde Drácula: "...sangue não, sangue não...". Dêmis trouxe ao grupo o teatro e a poesia. Apresentamos três peças e poesias eram recitadas nas entre-canções. Balada a El Russo de Dêmis e Lula já era o maior sucesso da Banda. Dêmis compôs, junto com Biá, mais duas canções (Tempestualidade e SPM) . E nem tinha terminado o ano de 1998.

Muitas canções foram compostas em 1997 (A Tempestade é Culpa Sua e Canudos de Maurízio, A Chave de Maurízio, Lula e Biá). O ano foi proveitoso. Várias canções foram compostas, às custas de substâncias e criatividade, nas casas de Dêmis. Casas porque ele mudava sempre de endereço. E tinham mulheres, várias e curtições interessantes. Dêmis se vai e George entra na Banda por pouco tempo. Rosilene já era a presença feminina na canção Malandragem de Cassia Eller. Depois entram alguns bateristas para substituir Nílton, mas não dão certo. O ano de 1998 marca uma crise de identidade da banda que passa a tocar axé e forró, se apresentando em carnaval (com primeiro contrato) e Festa dos Vaqueiros (apresentação de artistas locais). Essa crise faz Maurízio tomar a decisão de parar. Anunciam o último show por três vezes até 1º de janeiro de 2000. Mas em 2000 a banda resolve ressurgir com interação com a Banda Baile (pagode e forró) e Novo Som (depois Milleniuns). Tocavam juntos para arrecadar grana para comprar instrumentos. Maurízio e Nílton tocavam nas duas. Compraram bateria, baixo e pedaleira. Depois a Nílton sai dos Bichos Escrotos e a banda pára mais uma vez. Maurízio é dispensado de Milleniuns que agora é pagode. Bichos Escrotos sai da interação sem bateria, nem baixo, Maurízio leva a pedaleira. Em 2000 Bichos Escrotos se apresenta em Juazeiro (Nilton ainda toca esse show) na UNEB onde Maurízio começara a estudar Pedagogia. Tocavam poucas músicas da banda e muitas dos outros: Ricardo entra na Banda. 2003 e 2004 foram os anos das melhores apresentações da Banda na Festa dos Vaqueiros de Curaçá. No primeiro com Sonicleuber (rapaz recém chegado de Feira de Santana) na batera, e Tessú no baixo e Dai na guitarra (estes dois vieram a convite de Maurízio - estudavam na UNEB). Naquele ano, Verbos, canção de Maurízio (de 1997) ganhara um terceiro lugar no Salão de Artes da UNEB com acompanhamento de Soni na batera e Nildinho no baixo (um irmão de Nildinho, Jotinha, também testou o baixo da banda, mas não durou muito tempo). Em 2004 Bolinha vai para a batera porque Maurízio não se entendia com Soni(cleuber) e brigavam muito. Nesse ínterim, Maurízio havia comprado uma bateria com Ricardo. Érico e Ernando tocam violão nessa última apresentação. Em 2005 tocam mais uma vez em Juazeiro, no lançamento do Selo do UNICEF para as crianças do sertão: Maurízio dá a louca e só toca músicas da Banda e o show é bem aceito. No fim do ano lançam o Curaçá-Pira.

Bichos é como o sociólogo curaçaense Esmeraldo Lopes, no livro Vozes do Matos diz: é a aquilo que vem do mato, gente ou animal. Escrotos na gíria sertaneja é hábil, astuto. Portanto, bichos escroto não sai do esgoto ou dos lixos urbanos e sim dos mato rural, do saber local e das mesas de bar, óbvio. O Curaçá-Pira é uma reunião de amigos que pagam o som, espaço e outros custos e traz bandas de outras cidades e acrescenta ao som dos Bichos Escrotos e dá muito rock n' roll. O 1º teve participação de Fernandinho, Pinzon, Bichos Escrotos e TED (Tessu, Eduardo e Dai). Essa idéia surgiu devido aos prejuízos causados nos últimos shows-discotecas da Banda: é melhor tirar o prejuízo antes. No São João de 2005 os Bichos tocaram várias canções e lançaram o primeiro rap (Contra-Hino Curação: uma crítica ao Hino de Curaçá). Foi feita uma entrevista com Maurízio, por Cidinha Medrado e a Banda saiu no jornal Tribuna do Vale de Santa Maria da Boa Vista (PE). No show do UNICEF já tinha lançado as canções: Juventude Transcendental (apologia o livro de Maurízio lançado naquele ano), A Pedra do Silêncio (um punk contando a história de um assassinato em Curaçá). A Feira de Curaçá e Tempo de Imbú (essa, letra de Dêmis) foram lançadas em 2004, na Festa dos Vaqueiros: já eram os maiores sucessos da Banda, além de Curaçálica (homenagem à Cia de Artes Livres com mesmo nome: um reggae), essa lançada no carnaval de 2001. A segunda edição do Curaçá-Pira vem em 7 de julho de 2006 com TED, Pinzoh, Prof. Paulo, Bichos Escrotos e Engrenagem (Banda de Petrolina): foi o maior sucesso. Músicas gravadas no show do UNICEF passam a serem veiculadas na Curaçá FM que nem foi inaugurada, especialmente no programa de Wilson Sena (zabumbeiro e flautista dos Bichos Escrotos desde 2004, no show da Festa dos Vaqueiro, especialmente nas canções Feira de Curaçá, Tempo de Imbu e A saga de Zeca Tufano (essa, uma letra de Dêmis músicada em ritmo de xaxado-metal).

A história continua...
A Banda Escrotos...entre idas e vindas...entre baixos e altos ainda é refúgio aos ouvidos de muitos jovens em Curaçá.


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